O clima do jogo para o Atlético não poderia ser melhor, os torcedores e os jogadores rubro-negros estavam empolgados com o novo comandante e com a expectativa da superação do décimo segundo homem em campo, o Tabu.
Geninho, novo técnico atleticano, além de ser bastante experiente com títulos expressivos em sua carreira, não é arrogante, aliás, chega de treinadores arrogantes em solo goiano. Hélio dos Anjos e Artur Neto pareciam que não sabiam que estavam lidando com seres humanos.
Os atletas rubro-negros queriam mostrar que eram bons alunos para o seu novo professor, o qual atento assistia a partida; era o momento de impressionar para cair nas graças do mestre, vez que, a primeira impressão é a que fica. Nada de indisciplina e sim muita dedicação em campo. Mas a empolgação era tanta para demonstrar qualidades ao mestre que os atletas quando percebiam estavam se atracando nas pernas dos adversários. Wesley perdeu o tempo da bola, mas não as pernas do jogador do time do sudoeste, sorte que o árbitro se mostrou complacente com ele, nem o amarelinho mostrou. Aliás, quem amarelou foi o juiz ao aceitar Wescley desafiá-lo, ele até ameaçou tirar o vermelho do bolso, mas hesitou. Elias conseguiu demonstrar sua habilidade; Juninho sua esperteza e efetividade nas conclusões; Ramalho liderança; Robston seu raciocínio rápido; Márcio além de firmeza no gol mostrou que sabe catimbar, está certo que levou um cartão amarelo, mas deu uma acalmada no Fantasma. Estas catimbas de Márcio já deram bons resultados ao clube, ele defendeu um pênalti do talentoso Carlos Alberto, defesa esta que assegurou o empate contra o Vasco no Brasileirão 2009. Enfim, todos queriam apresentar o melhor de si para o novo professor. O sistema defensivo ficou devendo uma marcação precisa, no entanto, Geninho deve ter observado tal displicência dos alunos do fundão. Geralmente é assim mesmo, os alunos que ficam na frente costumam ser mais aplicados.
Assim, com tanta aplicação em campo o resultado não poderia ter sido diferente, o Atlético demorou um pouco para abrir o marcador, fato bem compreensível, pois estava diante da defesa menos vazada do campeonato, isso sem mencionar, o Tabu de nove derrotas consecutivas para tal time. Completar a décima em seus domínios seria humilhante para os atleticanos. O time do Santa Helena havia sofrido apenas sete gols. Contudo, para azar dos atletas do sudoeste, eles estavam enfrentando a ataque mais positivo do campeonato. O melhor ataque prevaleceu, os atleticanos marcaram quatro gols, com destaque para Juninho, o qual, além de ter balançado a rede por duas vezes, teve participação direta nos gols de Elias e Marcão. Nesta partida pelo menos, podemos dizer que o melhor ataque foi a melhor defesa, vez que os zagueiros do time da Campininha quando foram exigidos não tiveram muita eficiência. Entretanto, do meio para frente o time jogou bonito não dando trégua para o time visitante, tal disposição ofensiva superou as falhas dos defensores atleticanos.
Engraçado, o Tabu, décimo segundo jogador em campo desta vez agiu contra quem queria mantê-lo. O time do Santa Helena perdeu boas oportunidades de gol; Robson Goiano entrou no segundo tempo e poucos minutos depois se contundiu e o pior, os companheiros de equipe Marclei e Carlão brigaram entre si, fato que rendeu a expulsão do primeiro. Se por um lado quebrar o Tabu não é fácil, por outro, mantê-lo pode ter suas dificuldades. O time do Santa Helena que o diga. O primeiro Tabu do campeonato foi quebrado, bom presságio para o Vila Nova, o Goiás e o Atlético que se cuidem.
Os atletas da Campininha desta vez não ficaram com medo do Fantasma do Sudoeste, pois perceberam que este, não passava de um Gasparzinho, um fantasminha bem camarada.
Lívia Aparecida da Silva é graduada em Letras(Português /Francês) Atualmente é professora efetiva da rede estadual de ensino de Goiás(Colégio Estadual Waldemar Mundim) e aluna do mestrado em Letras e Linguística da UFG- estuda o discurso futebolístico.



