Comentário Lívia Aparecida: Quem pagou o pato?

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Nada como um clássico entre Goiás e Vila. O Estadual, até então único ponto de encontro das equipes, fica mais empolgante na véspera e no dia de tão aguardado confronto. No entanto, a empolgação só não é completa pelo fato do espetáculo não ser realizado no templo de nosso futebol goiano.

Os dois times viviam uma situação bem oposta entre si. O Vila, desacreditado por muitos, o primo pobre de Goiânia, contava com uma boa pontuação, sete pontos. O Colorado via no jogo diante de seu maior adversário a chance de se firmar de vez no campeonato. Por outro lado, o Goiás, exaltado por muitos, um dos primos ricos da capital, apresentava a pior campanha da competição, um pontinho apenas. O Verde ofuscado buscava reencontrar parte de seu brilho; almejava a possibilidade de iniciar uma reação no campeonato. O Goiás se afundaria de vez na crise, com a firmação do Vila? O Vila pagaria o periquito, quero dizer, o pato, pela má campanha esmeraldina?

O Goiás venceu a partida e paralisou, pelo menos temporariamente a boa campanha do Vila. Infelizmente para os vilanovenses, ainda não foi desta vez que o time conseguiu desbancar o seu grande rival e o pior, acabou pagando o periquito, digo, o pato. Os inúmeros erros da diretoria esmeraldina e o péssimo início de campeonato do time foram “abrandados” pelo Tigre.

No entanto, se isto serve de consolo aos Colorados, os atletas do Vila se sentiram a vontade na Serrinha, não se incomodaram com tanto verde pela frente; como se não bastasse o gramado(tão maltratado por eles ultimamente) e os adversários, tinham que se exibir perante uma única plateia verde. Era verde para não acabar mais! Eles não queriam fazer feio na casa de seu maior rival e realizaram uma partida equilibrada, a qual foi perdida pela falta de eficiência de seus atacantes.

Se por um lado, Ludemar e Moré não aproveitaram as oportunidades que tiveram, Fernandão e Felipe não seguiram o mau exemplo de seus rivais. Fernandão comemorou muito seu segundo gol no campeonato, vale relembrar que o primeiro foi contra o seu próprio patrimônio. Contudo, este gol com certeza tem um sabor muito especial, vez que além de ser o seu centésimo pelo time da Serrinha, aconteceu frente ao mais tradicional adversário do Goiás, não teria um momento mais oportuno. Desde 2001, o atleta não disputava este clássico e na sua volta premiou os esmeraldinos com um belo gol. Valeu à pena “guardar” o gol pelo Goiás, para a quinta  partida? Já Felipe sacramentou a vitória do Alviverde, com a maior tranqüilidade e liberdade na pequena área.

O novo comandante esmeraldino, já mostrou serviço ao vetar Romerito e colocar Fernandão como meia de armação. O estreante Wellington Monteiro, visivelmente sem ritmo de jogo, aceitava o meia Fernando tentar jogar, sorte que este não conseguia dar boas sequências nas jogadas. Neste jogo, ele desperdiçou duas boas oportunidades de fazer gols, sendo a segunda imperdível. Desta vez, Zé Roberto perdeu a paciência com ele e o substituiu por Anderson, o qual não acrescentou nada na partida.

Em clássicos fatos improváveis acontecem; o goleiro Harlei tanto tempo monopolizando o gol esmeraldino, saiu no intervalo, dando lugar ao seu fiel reserva. Parece que Harlei já estava sendo eternizado no gol e a sua saída nos causa estranheza. E ele vai ficar fora do próximo jogo, tendo em vista que levou o terceiro cartão amarelo. Será o momento de Rodrigo Calaça assumir a titularidade no Goiás?

Com a primeira vitória no campeonato o Verde, respira um pouco mais aliviado, mas o time não terá vida fácil pela frente. Na próxima partida encara a notável equipe do Itumbiara, e para continuar respirando na competição, a vitória será o limite para o time das bandas da Serrinha. Vale ressaltar que os colorados mesmo não apresentando uma técnica apurada demonstraram mais uma vez muita determinação em campo e terão oportunidade de dar o troco no Goiás em seus domínios, com um cenário totalmente a favor.

 

Lívia Aparecida da Silva é graduada em Letras(Português /Francês)  Atualmente é professora efetiva da rede estadual de ensino de Goiás(Colégio Estadual Waldemar Mundim) e aluna do mestrado em Letras e Linguística da UFG- estuda o discurso futebolístico.